Resumo Códigos e Reprodução Cultural: Basil Bernstein

Códigos e Reprodução Cultural: Basil Bernstein

No  texto “Códigos e Reprodução Cultural: Basil Bernstein”  do livro “Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias de Currículo” o autor aborda a respeito do currículo; as relações estruturais entre os diversos tipos de conhecimento que compõe a currículo. Além desta preocupação, o autor menciona a respeito dos tipos de currículos que são eles: o currículo tipo coleção e o currículo tipo integrado. Os currículos segundo Bernstein, podem ser fortemente ou fracamente classificados. Segundo o autor a classificação está ligada ao poder, o que estabelece o que pode ou não ser ensinado. Bernstein fala a respeito dos códigos, considerando como a forma de expressão de significados segundo os diferentes conhecimentos e classes.

O conhecimento educacional formal segundo Bernstein, são influenciados por três sistemas de transmissão: o currículo, a pedagogia e a avaliação. O currículo é definido de acordo com o grau de importância em relação a um determinado assunto, ou seja, se o conhecimento em questão é importante e se ele deve compor o currículo.



A pedagogia trata-se da forma como será aplicado o conteúdo de currículo, ou seja, qual a didática será utilizada para a transmissão do saber proposto no currículo. E por último a avaliação, que se trata da forma de como verificar e descobrir por meio de teste o grau de conhecimento do educando em relação ao conteúdo que foi submetido.

A preocupação do autor em relação ao currículo, não está focada nos conteúdos que o compõe, e sim o que influencia em sua composição. A composição do currículo sofre influência dos códigos sociais, que se tratam de contextos e significados adquiridos em uma dada sociedade ou classe. Esses códigos são aprendidos de forma implícita em meio a sociedade em que o sujeito vive. Dentro das escolas as estruturas sociais são transmitidas por meio do currículo, da pedagogia e da avaliação. A estrutura do currículo é a responsável por estabelecer quais os “códigos” sociais que deverão ser aprendidos.

Bernstein apresenta dois tipos de currículo: o currículo tipo coleção que se trata de um currículo com conteúdo isolado, ou seja, com conhecimentos completamente separados, e o currículo integrado, que por sua vez é composto por um princípio abrangente em que os conteúdos se interligam entre si, transformando-se em um todo. Quando o currículo é tipo coleção, ele é considerado como fortemente classificado, o que significa que a aula apresenta um maior controle não permitindo ao aluno expressar-se. No currículo integrado, podemos dizer que se trata de uma fraca classificação, em que permite ao aluno ter um maior domínio, controle e ritmo da aprendizagem.

A falta de classificação não significa necessariamente falta de poder. Quando os alunos possuem voz ativa ou princípios que fogem de um certo controle, não significa que o controle esteja ausente; trata-se apenas de outra visão metodológica que visa o estado subjetivo do educando, permitindo-o que desta forma, seu aprendizado seja mais eficaz e contextualizado. Outro fator importante da pesquisa de Bernstein, foi a questão a respeito do fracasso escolar. De um lado o ensino tradicional voltado para a classe dominante e do outro, o curso profissionalizante voltado para a classe operária.

Esses fatores contribuem para a formação do código elaborado e o código restrito. O código elaborado transcende o contexto em que se está inserido, enquanto que o código restrito, é produzido a partir do contexto local. O código elaborado suposto pela escola e o código restrito destinado às crianças das classes operárias, é na visão de Bernstein provavelmente o motivo para o fracasso escolar. O autor afirma que as pedagogias simplesmente mudavam os currículos para as propostas progressistas, mas na prática, os princípios continuavam os mesmos, reforçando a divisão social.

A preocupação de Bernstein consiste na forma como o currículo estava estruturalmente organizado; a questão do fracasso educacional em relação à classe operária; diminuir divisões do ensino acadêmico (classes dominantes) e o ensino profissionalizante (classe operária), e o papel das diferentes pedagogias no processo de reprodução cultural: “pedagogia invisível”. Na sociologia da educação de Bernstein, ele desenvolve alguns conceitos fundamentais a respeito da estrutura curricular, os fatores que a influenciam, nos ajudando a compreender melhor em que consiste o papel da escola no processo de reprodução cultural e social, em que o currículo se torna o mediador da ordem social e econômica, pois, o currículo possui um caráter ideológico, e desta forma, não pode ser considerado como algo neutro.

Bibliografia:

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias de Currículo.3° Edição. Editora Autêntica. 2010.