A realidade dos concursos públicos

Hoje iremos falar um pouco a respeito dos concursos públicos de forma geral.

Iremos em específico argumentar sobre dois pontos: a taxa de inscrição e o conteúdo da prova aplicada de acordo com o cargo concorrido.

A taxa de inscrição:

A taxa de inscrição é utilizada de acordo com algumas pesquisas, para os gastos de impressão das provas, os fiscais que irão participar da aplicação do teste no dia, dentre outros fatores.



Mas aí entra a questão – se a taxa serve para arcar com os gastos, por que de um concurso para outro existe uma diferença grande no valor da taxa?

E por que de um cargo para outro também existe essa mudança de valor gritante?

Não há como negar, de certa forma o dinheiro não é gasto simplesmente para arcar com custos.

Como exemplo, iremos falar hipoteticamente de uma instituição que abre um concurso e que existem três opções em um mesmo edital, mas de acordo com a escolaridade o valor da taxa é diferente.

Exemplo: nível fundamental 25,00 – médio 35,00 – superior 45,00

Se a taxa da prova é pra arcar com o custo de impressão e o pessoal que trabalha no dia etc. o papel usado na prova de quem tem nível superior não é mais caro que do fundamental não é mesmo? rsrsrs

Os concursos de nível superior sempre possuem um custo maior, e porquê?

Nem sempre quem possui nível superior tem condições de arcar com a taxa de inscrição ou está trabalhando no momento em sua área ou em qualquer outra.

Ter nível superior não significa ter condições maiores para pagar taxas em concurso público; lembrando que quem faz concurso, não faz um só.

Claro que existe o Cadastro no CRAS que permite solicitar a taxa de isenção, mas mesmo assim, nota-se que eles fazem de tudo para que você não consiga essa “isenção”. Existem alguns fatores, dentre eles:

  • Curto prazo para solicitar a isenção de taxa – Exige que o candidato esteja alerta para solicitar ela nos primeiros dias, ou em alguns casos antes do concurso abrir.
  •  Pedido indeferido – Costumam dar  dois dias para você recorrer.

Se a taxa de isenção serve para beneficiar quem não tem condições de pagar a taxa por que está desempregado ou por outro motivo, não parece justo que seja curto o prazo para o benefício. Mas como “eles não querem deixar de receber os trocadinhos”, o período, é óbvio que será pouco tempo para solicitação deste benefício, e quem não conseguiu, senta e chora!

Conteúdo da prova:

Se a taxa já revolta, lembre-se do conteúdo da prova! O conteúdo da prova é algo delicado para discutirmos.

Para exemplificar essa situação, irei tomar como exemplo os concursos para professores especializados nos anos iniciais da educação básica (pedagogos(as)), ou seja, do primeiro ao quinto ano ( fund. I).

Na hora que abrimos o edital para verificar todo o conteúdo a ser estudado olhamos e vemos o seguinte:

  • Questões de conhecimentos específicos (área de atuação do candidato);
  • Legislação (área que o candidato possui conhecimento básico);
  • Português (nem sempre é um conteúdo básico);
  • Matemática (costuma ser coisas que só o especialista vai ensinar no fundamental II) e
  • Atualidades.

Nas questões de conhecimentos específicos, o candidato se depara com questões referentes à sua formação. Geralmente costuma ser questões que abordam os teóricos presentes e que são estudados durante o curso; até aí tudo bem.

As questões de legislação, também não fogem muito da realidade do candidato. Costumam ser questões referentes às normas e atitudes a serem seguidas por um pedagogo em exercício.

Em relação às questões de língua portuguesa, é importante que o professor reveja seus conhecimentos pois, como professor alfabetizador, deve possuir uma linguagem culta. O professor é um exemplo para o aluno e por esse motivo deve saber falar bem e escrever bem. Mas em alguns concursos, caem questões com conteúdos de especialistas e que não serão ensinados por um pedagogo.

Em matemática é o momento que muitos se revoltam no concurso; o professor pedagogo que ensina nos anos iniciais, se depara com questões de concurso em que é necessário responder equações de segundo grau, fórmula de Bhaskara, regra de três composta, dentre outros. Costumam ser questões que até para professores formados em matemática são consideradas difíceis e que precisam de tempo para serem resolvidas.

E por último, atualidades. Estas questões ao meu ver são irrelevantes. É claro que como professor é dever sempre ser um pesquisador e é necessário estar por dentro de tudo o que acontece, mas por outro lado, as atualidades, não são questões que determinam o grau de conhecimento que definem sua ação como profissional na área da educação.

Dentre todos os tópicos citados acima, os conteúdos de prova que mais fogem da realidade de atuação dos professores de educação infantil e fundamental I é matemática e atualidades. Nem sempre um professor que acerta todas as questões de matemática e atualidades será um bom profissional em sala de aula, ou saberá como ensinar os conteúdos aos seus alunos. Enquanto que, muitos professores que se submetem à prova e não passam em questões por conta da matemática e atualidades, serão considerados professores ruins.

Portanto, onde quero chegar com isso?

Os concursos de forma geral, exigem conhecimentos que não serão praticados e deixam de exigir os que serão, em outras palavras, não adianta na prova o professor saber responder a equação do segundo grau, mas em sala de aula não saber dar uma aula explicando sobre “ábaco”.

Eu já vivenciei em sala de aula, professor concursado, que não sabia usar ábaco. Infelizmente isso é uma realidade crítica. É necessário que o país pense a respeito dos conteúdos de prova para concurso. Muitas vezes a bancada quer dificultar pra ver se a pessoa avaliada tem sorte, quando na verdade a questão deve abordar o que ele aprendeu durante o curso e o que ela irá usar durante seu exercício.

Repito o que disse anteriormente, no concurso deve cair “somente” o que o profissional irá usar. Mas aí entra a questão – a bancada que aplica o concurso não pensa nisso, eles querem somente que passem quem tem sorte e não quem é bom profissional. Daí nos deparamos com uma educação crítica e sem futuro em que o professor não tem didática e nem conhecimento para ensinar os alunos.

Todos os concursos testam na maioria das vezes os candidatos por meio de questões objetivas. Por que não avaliar por redação? São poucos os concursos que avaliam com redação, na maioria das vezes a redação é somente para o cargo de professor e a redação só é corrigida se o candidato acertar pelo menos metade da prova objetiva, ou seja, mesmo que a redação esteja um verdadeiro “tesouro” ela é descartada pela banca que irá corrigir. Sou completamente contra essa atitude quando se leva em consideração que cada sujeito possui sua forma de aprendizagem e que sabe expor seu conhecimento de forma diferente.

Algumas pessoas demonstram seu saber por meio de questões objetivas e outras por meio de redação. Enfim, esta postagem teve como propósito dizer a respeito do que acontece nos concursos e algumas injustiças que acarretam problemas. Lembrando que estes problemas em concurso acontecem de forma geral para todos os tipos de áreas: Educação, saúde, dentre outros.

Espero que essas poucas palavras possam ser capazes de provocar um pouco de reflexão e levar a você que está lendo, pensar um pouco sobre a realidade!….